Eucalipto

ORIGEM DO EUCALIPTO

Originário da Austrália e da Indonésia, o eucalipto é hoje uma das principais fontes de matéria-prima para produzir papel. Pertence ao gênero Eucalyptus, que reúne mais de 600 diferentes espécies. Em território brasileiro, o eucalipto encontrou ótimas condições de clima e solo para se desenvolver, com crescimento mais rápido que nos demais países e com alto índice de produtividade.

A utilização do eucalipto no segmento papeleiro data do início do século XX, mas sua produção massiva só ocorreu por volta de 1957. A partir da espécie se produz a celulose de fibra curta, usada na fabricação de guardanapos, papel higiênico, papéis para imprimir e escrever, entre outros itens.

 

 
Introdução do eucalipto no Brasil

Os primeiros eucaliptos chegaram ao Brasil como planta ornamental em 1825, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em 1868, a espécie começou a ser plantada para a produção de lenha e formação de barreiras contra o vento, inicialmente no Estado do Rio Grande do Sul. Sua expansão ganhou impulso nos primeiros anos do século XX com o trabalho do primeiro brasileiro a se interessar pelo estudo e cultivo da planta: o silvicultor Edmundo Navarro de Andrade.

Na antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o cientista promoveu plantios de árvores para alimentar as caldeiras das locomotivas e produzir dormentes, mourões e postes. Na época, foram introduzidas no Horto Florestal de Rio Claro (SP) as espécies de eucalipto cultivadas atualmente no País.

O plantio florestal do eucalipto é, hoje, uma importante atividade produtiva no Brasil, fonte de riqueza e desenvolvimento social, bem como de conservação ambiental. As florestas plantadas de eucalipto cobrem 5,4 milhões de hectares no país segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
 
Características da espécie:

  • Rápido crescimento;
  • Grande diversidade de espécies, possibilitando a adaptação da cultura às diversas condições de clima e solo;
  • Facilidades de propagação, tanto por sementes como por via vegetativa;
  • Possibilidades de utilização para os mais diversos fins, o que justifica sua aceitação no mercado.
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Utilização

O eucalipto tem uso múltiplo. Além da produção de celulose, também é fonte para produção de carvão vegetal e geração de energia. Como madeira sólida, é usado em móveis, pisos, revestimentos e outras aplicações na construção civil.

Já há pesquisas para utilização da lignina, polímero orgânico que compõe cerca de 30% da árvore de eucalipto, na indústria química e automotiva.

Outra oportunidade em estudo é a produção de fibra de carbono à base de lignina para o setor automotivo. O produto pode substituir componentes de aço e alumínio dos automóveis.

 

Aspectos ambientais

Espécie mais utilizada em plantios florestais renováveis no Brasil, o eucalipto após décadas de cultivo, atesta que convive em harmonia com a natureza.

 

O eucalipto e o solo

A cobertura constituída por galhos e folhas dos plantios de eucalipto formam uma proteção que ajuda a reter a umidade. Além disso, essa matéria orgânica contribui para preservar a fertilidade da terra. Basta dizer que os plantios são realizados de forma sucessiva nas mesmas áreas, com a adoção de técnicas de manejo adequadas, e a produtividade se mantém.

 

O eucalipto e a água

Árvores de praticamente todas as espécies são fundamentais para proteger nascentes e conservar o solo. O eucalipto, por ter uma copa menos densa, retém menos água da chuva e permite que ela chegue ao solo e se infiltre mais rapidamente. As raízes do eucalipto não ultrapassam dois metros e meio, não chegando aos lençóis freáticos. A espécie também é muito eficiente no aproveitamento da água: com a mesma quantidade de água consegue produzir mais biomassa que outras culturas.

 

O eucalipto e a biodiversidade

O cultivo comercial de eucalipto tem que atender algumas exigências e entre elas está a manutenção de áreas de reserva legal e proteção permanente. O eucalipto e seus sub-bosques formam um corredor para essas áreas de preservação, criando um hábitat para a fauna e a flora. Os monitoramentos que a Fibria realiza em suas áreas confirmam a existência de diversas espécies de aves e outros animais.

 

O eucalipto e a mata nativa

O setor brasileiro de árvores plantadas é responsável por 91% de toda a madeira produzida para fins industriais no país (o restante vem de florestas nativas legalmente manejadas). Essa realidade reduz a pressão sobre as matas nativas, contribuindo para preservá-las. As matas nativas ainda são um recurso usado para produção de carvão vegetal, móveis e madeira sólida, mas cada vez mais o eucalipto vem substituindo essa matéria-prima.

Fonte: Painel Florestal e IBA
 
Produtividade

Décadas de investimento em pesquisa e melhoramento genético levaram ao aumento da produtividade das florestas plantadas, que produzem cada vez mais madeira na mesma área cultivada.

Com o trabalho de melhoramento genético dos clones do eucalipto, empresas como a Fibria alcançaram excelentes resultados nos plantios em solo brasileiro, saltando de uma produtividade de 6,4 toneladas por hectare/ano, na década de 1960, para aproximadamente 11,8 toneladas por hectare/ano na década de 2010, um aumento de 84%.

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DICAS DE MANEJO

Para iniciar o plantio de eucalipto, antes de mais nada é necessário buscar orientação técnica. Um plantio realizado com mudas de boa qualidade, de clones produtivos e adaptados à região, em espaçamento e em solo preparado de forma apropriada, seguido de cuidados com a fertilização e o controle de matocompetição e formigas cortadeiras, resulta em altas produtividades de madeira.

A Fibria dispõe de uma equipe técnica sempre à disposição para orientar os produtores.

Confira abaixo alguns pontos a serem observados:

 

Qualidade das mudas

Os produtores que fazem parte do Programa Poupança Florestal recebem as mudas de eucalipto fornecidas pela Fibria quando estas têm entre 70 e 90 dias de idade. As principais características de qualidade são: altura e nível de rusticidade adequado, sistema radicular ativo e bem formado e ausência de doenças.

 

Preparo do solo
Para preparar o solo deve-se empregar o cultivo mínimo, que tem o objetivo de garantir a conservação do terreno. Para isso, é necessário realizar a subsolagem, por meio do revolvimento do solo somente na linha de plantio, a uma profundidade de 60 cm. Além disso, também é importante fazer a análise do solo para definir a quantidade de adubo necessário para realizar a fertilização da floresta, considerando o que existe de nutrientes no solo e a expectativa de produtividade.

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Plantio

O plantio pode ser realizado praticamente durante todo o ano, evitando-se os meses de dezembro e janeiro, quando as altas temperaturas podem causar mortalidade das mudas e quando exige-se maiores intervenções de irrigações pós-plantio. O eucalipto pode ser cultivado em terrenos planos ou declivosos, respeitando-se a legislação, que não permite plantios para exploração comercial em áreas com declividade superior a 45º. Terrenos nessa situação são considerados Áreas de Preservação Permanente (APP), ou seja, devem ser preservados.

 

Em áreas declivosas, as covas para plantio devem ser alinhadas no sentido de maior facilidade para a colheita. Nessas áreas, recomenda-se o preparo manual, abrindo-se covas com enxadão, motocoveadora ou brocas adaptadas a retroescavadeiras.

 

Uso de fertilizante

Os solos destinados ao plantio de eucalipto geralmente têm baixa fertilidade, são ácidos e pobres em minerais primários, exigindo a aplicação de fertilizantes e corretivos. O tipo e a quantidade de fertilizante e corretivo de solo devem ser definidos com base nas condições do terreno, sempre levando em conta o laudo de análise emitido por profissional capacitado.

 

Controle de formiga
As formigas cortadeiras, também conhecidas por saúvas ou quenquéns, são consideradas as principais pragas dos plantios de eucalipto. Existem vários métodos de controle de formigas. Por ser o mais eficiente, o método recomendado é a utilização de iscas formicidas que atuam em baixa concentração. A dosagem deste produto deve ser realizada considerando o tamanho dos formigueiros. A forma de aplicação das iscas formicidas, a escolha da época de controle, além da dosagem, são orientações importantes que devem ser emitidas pelo técnico responsável.

 

Plantas daninhas
O manejo de plantas daninhas depende da espécie e das condições de cultivo. Há plantas que são resistentes ao controle com a aplicação de herbicida e aquelas de fácil, médio e difícil controle. É importante destacar que o custo de controle dessas plantas encarece o custo de produção. A melhor alternativa, portanto, é monitorar os plantios e fazer o controle com capina antes que a infestação se alastre.